Histórico – No tempo da descoberta e colonização do Brasil, o Ceará, como de resto, era habitado por tribos selvagens: o tapuia – o inimigo de “cultura” mais rudimentar, falando a língua travada no sertão – e o tupi – o invasor, no litoral, com “cultura” mais desenvolvida, falando a língua geral.
Três nomes da civilização portuguesa figuraram nos primeiros tempos do Ceará: Antonio de Barros não tomou posse da sua Capitania; Pero Coelho, que desejando colonizar e civilizar o Ceará, mas acossado pelo invasor francês, pela fome, pela sede e pelas crises climáticas não teve sucesso na tentativa colonizadora. Soares Moreno resoluto e abnegado, deu inicio à colonização e civilização do Ceará e ao caldeamento entre branco e o índio.
Verifica-se que Aquiraz, incluindo Cascavel, e Cascavel, incluindo Beberibe, nas proximidades de Fortaleza, foram pontos primeiros conquistados e civilizados pelo elemento luso que do Forte avançou pelo Pirangi, pelo baixo Jaguaribe, por cujas margens subiram o sertão. (Antônio Bezerra, “Algumas Origens do Ceará”, pág. 37)
A cidade de Beberibe está localizada nas terras das datas de sesmarias concedidas pelo Capitão Domingos Ferreira Chaves, Manoel Nogueira Cardoso, Sebastião Dias Freire, e João Carvalho Nóbrega pelo Capitão-mor Tomás Cabral de Oliveira, a 16 de agosto de 1691.
Nas primeiras décadas do século XIX transferiram suas residências e domicílios de Cascavel (Riacho Fundo) e de Aquiraz (Mirador) Baltazar Ferreira do Vale e Pedro de Queiroz Lima. O primeiro comprou o Sitio Lucas, em 1818 – Nome da antiga localidade de Cascavel (emancipada em 1833); o segundo, mais tarde, comprou o sitio Bom Jardim, em 1836, a menos de meia légua do Lucas. Lucas e Bom Jardim são atravessados, respectivamente, pelo corrente do Leite e pelo Corrente da Casa Grande.
Ali constituíram núcleos de famílias importantes ligadas por íntima amizade e próximo parentesco. Moços de Lucas, assim conhecidos pelo critério conduta que os caracterizavam, contraíram matrimônio com moças do Bom Jardim, ascendentes diretos dos Facós, nome que lhes veio por pura invencionice de uma tia de Francisco Baltazar Ferreira Facó, filho do casal do Lucas e pai da escritora Ana Facó.
Assim nos tempos novos de Beberibe, os Queiros-Ferreira-Facó são antigos ali com raízes profundas e remotas em Goiana (Pernambuco), em Apodi-Papagaio (Rio Grande do Norte), Baixo Jaguaribe, Quinxixe-Pirangi, Barro-Vermelho-Banabuiu, Sitia-Quixadá, Riacho Fundo-Cascavel (Ceará).
O sítio Lucas ainda hoje pertence aos descendentes de Baltazar Ferreira do Vale, entretanto o sítio Bom Jardim é patrimônio público municipal.
No último quarto do século XIX, foi vigário na paroquia de Beberibe o Cônego Francisco Ribeiro Bessa, figura de destaque e deputado provincial na época. A esse tempo veio para a sua companhia os sobrinhos: Otávio Ribeiro Bessa que ali fixou residência, tornou-se homem e fez relativamente ao meio em que havia poucos abastados, grande fortuna, e Horácio e Inácio. Casando-se os três com moças da família Xavier da Costa, ligadas aos Queiroz-Ferreira, por parentesco.
As famílias Perobas e Martins Dourado fizeram-se homens de bem, havendo alguns de seus descendentes ligados por Matrimonio aos Queiroz-Ferreira. Orientados pelo Monsenhor Joaquim Martins Dourado, alguns de seus parentes tornaram-se figuras de destaque no seio da sociedade.
O juizado de paz da localidade Lucas foi instalado quando da emancipação do município de Cascavel (17 de outubro de 1833), sendo seus primeiros juízes de paz Baltazar Ferreira do Vale, Manoel da Costa Nogueira, Manoel Jose Falcão e Leonardo Bezerra Cavalcante. Suprimido o Juizado de Paz (Lei provincial de 4-VI-1875) e restaurado (Lei provincial de 3-I-1879), teve como Juízes de Paz os cidadãos Baltazar Ferreira de Araújo Biá (Proprietário do sítio Beberibe), Francisco Baltazar Ferreira Facó, pai do cientista Thales Facó, João Baltazar Ferreira Facó, pai do general Edgard Facó e Francisco Fernandes de Araújo. Em 1879 foi distrito policial, sendo seu subdelegado Gustavo Francisco de Queiroz Facó, pai do escritor Américo Facó, e seus suplentes Francisco Xavier da Costa, Avô Materno do Desembargador Vicente Bessa, Dr. Valdemar Bessa, Dr. Osmundo Bessa, Francisco Roberto da Costa Nogueira e Francisco de Paula Peroba.
Além de professores particulares, que sempre aparecem a medida em que as populações locais aumentam, Beberibe teve a primeira escola pública pelas leis provinciais números 1 939 e 2 005, de 5-VIII-1881 e de 6-IX-1882. Entre outras escolas publicas destaca-se a Escola de Ensino Médio Ana Facó, construída em 1946, em terreno doado pelo benemérito Jonas Bessa, com recusos próprios do engenheiro Antonio Carlos de Queiroz Facó, irmão da homenageada.
Conta a tradição, pelo testemunho de seus antigos habitantes, que nos primeiros anos do século XIX houve um naufrágio as costas do Atlântico, naquelas paragens, de uma embarcação portuguesa, de que era passageira dona Maria Calada, devota da Sagrada Família, fizera a promessa de que, se chegasse a terra com vida, nos destroços do navio que lhe serviam de sustentáculo sobre as ondas, mandaria levantar, ao ponto em que aportasse, uma capelinha sob a inovação de Jesus-Maria-José.
Aportou na praia do Morro Branco e ali adquiriu terras que confirmam com a meia légua do rio Pirangi-Norte-Sul e ainda entre o rio Choró e a barra da lagoa Uruaú-poente-nascente. Ali fixou residência e fez construir a capelinha de sua promessa ao orago mencionado.
A capela foi levantada no local, atualmente, ocupado pelo cemitério da cidade, que conservou a denominação de “Igreja Velha”, tanto que, quando alguém estava atacado de doença incurável, havia o hábito de dizer-te que esse alguém só ficaria bom na “Igreja Velha”.
Mais tarde um dos moços do Lucas – Brasiliano Ferreira de Araújo, neto de Baltazar Ferreira do Vale, dono do Sitio Lucas, nome primitivo do distrito de Beberibe, quando da criação do município de Cascavel (1833), levantou outra capela, sob o mesmo orago, em frente a sua casa de residência na vila de Beberibe.
Anos depois, o coronel Raimundo José Pereira Leite, homem rico de Cascavel, sobrinho e genro de Baltazar Ferreira do Vale, do Sitio Lucas, fez uma grande reforma na capela, tornando-a uma Igreja Matriz digna do culto católico, e seguiram várias remodelações e pinturas, levadas a efeito por seus párocos, que tornaram a Matriz de Beberibe um severo e belo templo religioso católico. Ali foram acolhidas as imagens originais, trazidas por Dona Maria Calado, de Jesus, Maria e José – Padroeiros da Paróquia -, talhada em madeira por santeiro português.
No governo interino de Benjamim Barroso, pelo decreto nº67, de 5 de julho de 1892, foi criado um novo município de Beberibe, da comarca de Cascavel, com os mesmos limites do respectivo distrito de Paz, ocorrendo sua instalação no governo Bizerril Fontenele, a 18 de julho do mesmo ano, assumindo a gestão municipal Francisco Baltazar de Araújo Biá.
Pela divisão administrativa do Brasil, de 1911, o município de Beberibe se compunha de dois distritos: Beberibe, criado pela lei nº 2 051, em 24 de novembro de 1883, antigo distrito do Lucas, ao tempo da instalação do município de Cascavel, e o de Sucatinga, cuja denominação já vinha do tempo da fundação do conselho de Cascavel. A época do recenseamento geral de 1920, o município contava três distritos: Beberibe, Sucatinga, e Cruzeiro, a leste, na direção do Município de Aracati. Em 1933, o município passou a figurar como distrito de Cascavel, de vez que o decreto interventorial nº 193, de 20 de Maio de 1931, o havia, à semelhança da lei do Governo Justiniano de Serpa (lei nº 2 423, de 21 de outubro de 1920), reduzido a condução de distrito de Cascavel. Nas divisões administrativas que se seguira a 1933, 1936, 1937, e ao decreto-lei estadual nº 169, de 31 de março de 1938, retificado pelo de nº 378, de 20 de outubro do mesmo ano, permaneceu como distrito de Cascavel com a denominação de Beberibe. Assim continuou pelo decreto-lei nº 448, de 20 de dezembro de 1938, com vigência no qüinqüênio 1939 – 1943. Ao tempo da elaboração do decreto-lei nº 1 114, de 30 de dezembro de 1943, para vigorar no novo qüinqüênio 1944-1948, que a ordem legal e constitucional, estabelecida no Brasil a 18 de setembro de 1946, tornou sem efeito, filhos ilustre de Beberibe dirigiram longa petição, que por consenso dos peticionários foi elaborado pelo Desembargador Boanerges Facó, à comissão de divisão territorial, solicitando a restauração do seu município.
No governo Raul Barbosa, fez-se-lhe a devida justiça (lei nº 1 153, de 22 de novembro de 1951) com a desejada restauração municipal, como se fizera, anteriormente, no Governo Matos Peixoto (lei nº 2 423, de 21 de outubro de 1928). A instalação do município só se verificou a 25 de Março de 1955, contra o voto do Desembargador Boanerges Facó no tribunal regional eleitoral do Ceará, que era no sentido da instalação imediata. Desde o ano de 1946, o movimento restaurador teve a liderança do deputado estadual constituinte Raimundo de Queiroz Ferreira.
Com a restauração, a sede foi elevada a vila á categoria de cidade, “ex vi legis”, e é, atualmente, comarca da primeira entrância, erecta pela lei nº 3 508, de 20 de dezembro de 1956.
O município compõe-se atualmente de oito distritos que são Beberibe, Sede, Itapeim, Parajuru, Serra do Félix, Sucatinga, Paripueira, Boqueirão do Cezário e Forquilha.
Nas eleições realizadas a 3 de outubro de 1954, foram eleitos: prefeito – Antonio de Queiroz Ferreira. Vereadores- João Pereira Sobrinho, Juvenal Sombra Colaço, Benedito Evaristo Pinheiro, Joaquim Moreira Sobrinho, Antonio de Vasconcelos Sombra, Samuel Valério Rocha e Otto Facó.
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